
Sierra Hurtt chegou tímida e com um daqueles problemas que só artista sabe ter e sofrer: a garganta estava formosa, mas não segura. Mas o mundo é pequeno: a borboleta de Filadélfia (aqui fotografada pelo Rafael Canelas) trouxe consigo o talentoso guitarrista galês Skeet Williams e uma caixinha mágica de loops ("that little box that makes the music go round", disse Sierra).
Na verdade foi difícil perceber porque é que a artista se desfez em desculpas. A menina Hurtt domina bem os seus blues. Escreve canções que nos fazem estar nas nuvens. Interpretou um belíssimo tema escrito pelo Mikkel Solnado e todos cantamos baixinho. Antes que a verdade fique sem o seu abono diga-se que onde Hurtt brilha é nas versões (covers). Eu explico: um bom cover não é karaoke, é acrescentar algo de bom, emprestar uma voz ao que já era conhecido à boa maneira do jazz vocal.
O esforço valeu a pena e no fim Hurtt lacrimejava no convento, que achou muito "grooval". "Muito obrigada, meu Portugal... beijinhos", escreveu a cantora. Ficamos à espera do seu regresso. E as melhoras para a garganta.
Extra: quem tem Facebook pode ver aqui algumas fotos da noite.


