quarta-feira, 15 de junho de 2011

McDonald's oculta painel de azulejos de Pedro Jorge Pinto (1900-1983)

Registo com grande preocupação que o restaurante McDonald's Setúbal Centro ocultou o grande painel de azulejo com a Região dos Três castelos, da autoria do pintor setubalense Rogério Chora de PEDRO JORGE PINTO (1900-1983)***, que lá estava desde os tempos em que o espaço era antigo e centenário café "Esperança". A ocultação deu-se depois das recentes obras que modificaram o mobiliário do restaurante e tranformaram o espaço exterior numa esplanada coberta mais ampla. Em 1998, quando se soube da instalação do McDonald's naquele espaço, Rogério Severino, ilustre jornalista, falecido em 2003, alertava no Setúbal na Rede:

Esperamos que tal pintura, ela também um orgulho dos setubalenses, se mantenha já que não aceitamos que ela seja retirada e se bem que não se encontre classificada ela representa já um património que Setúbal considera como seu. Consideramos que a pintura não incomoda o interior do espaço, pelo contrário, enriquece-o e a cidade certamente não aceitará a sua retirada. (conferir aqui)

Retirar aos setubalenses e aos visitantes da nossa cidade o direito de contemplar esta obra de arte é imcompreensível e um atentado à memória cultural e artística da cidade. Reparei também que as colunas ornamentadas a azulejos, características do espaço foram igualmente ocultadas. Por considerar urgente a reposição do painel deixo aqui este alerta.

***Publiquei este post originalmente em 15/06/2011
Entretanto, surgiu no grupo do Facebook "Setúbal quase Esquecida" um comentário, de Diamantino Vasconcelos, que por achar ter pertinência reproduzo agora. Não sei qual é a fonte do Diamantino Vasconcelos. A minha fonte não era a mais fidedigna. Por isso, procurei no fundo local da biblioteca municipal, mas nada encontrei sobre os ditos painéis. Até nova versão aqui fica:

Diamantino Vasconcelos: Não é importante para a discussão, mas de facto o autor dos painéis do ex-Café Esperança foi PEDRO JORGE PINTO (1900-1983), o mesmo dos painéis do mercado (parede sul, zona do peixe). A grande diferença cromática e conceptual deve-se, claro, à distância de 3 décadas na consecução de uns e outros. Foi o regresso à cidade nos anos 60, do azulejista que já havia tratado temas setubalenses no início da década de 30. Na coleção da Câmara está, por exemplo, uma belíssima aguarela que retrata o chafariz ainda implantado frente à Câmara. Portanto, o seu a seu dono - tanto P.J.P como LUCIANO dos SANTOS trabalharam na decoração em azulejo tanto do ex-café como do Hotel. Aliás, como Manuel Tavares (1911-1974) que terá fornecido tantas aguarelas originais, quantos os quartos do Hotel. Aparentemente tb ninguém sabe o rastro delas. Na remodelação, "desapareceram" ... 


NOTA: Mais alguns apontamentos --> Tive oportunidade, no último Verão, de visitar dois outros McDonald's onde tudo (ou quase) está intacto. Trata-se do antigo Café Imperial, Av. Aliados, Porto (ver, a propósito deste café, o brilhante apontamento de Maria Teresa Castro Costa em http://www.apha.pt/boletim/boletim2/pdf/CafesDoPorto.pdf ), e do McDonald's na Praça da República, em Coimbra, antigo café Mandarim, onde pude constatar que está em muito bom estado de conservação o painel de azulejos de Vasco Berardo, datado de 1960. O café do Porto optou pelo mesmo estilo de nova decoração com aquelas placas decorativas acastanhadas, mas sem tapar nada de relevante. O mesmo estilo é usado no McDonald's do Saldanha, mas curiosamente não é usado no do Jumbo de Setúbal. Lamentável que a remodelação, no Esperança, não tinha tido em conta que havia e há outras alternativas.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Só para nerds: método de Hondt e distribuição de mandatos em Setúbal

Os mandatos estão a negrito.

Em 2011

PS PPD/PSD CDU CDS BE
1 114358 105965 82816 50660 29620
2 57179 52983 41408 25330 14810
3 38119 35322 27605 16887 9873
4 28590 26491 20704 12665 7405
5 22872 21193 16563 10132 5924
6 19060 17661 13803 8443 4937
Dados: http://www.legislativas2011.mj.pt

Em 2009:

PS CDU PSD BE CDS
1 142626 84203 68740 58827 38378
2 71313 42102 34370 29414 19189
3 47542 28068 22913 19609 12793
4 35657 21051 17185 14707 9595
5 28525 16841 13748 11765 7676
6 23771 14034 11457 9805 6396
7 20375 12029 9820 8404 5483
Dados: http://www.legislativas2011.mj.pt

Mais info acerca do método de Hondt, o método usado no sistema eleitoral português para converter votos em lugares no Parlamento: http://www.cne.pt/index.cfm?sec=0501010100

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Elogios rasgados

A qualidade é coisa rara. Andamos tão desabituados de a ver que ficamos sem saber muito bem o que dizer quando a vemos. Foi o que me aconteceu quando tentei dizer ao José Lobo o que tinha achado do seu texto "Silêncios Rasgados". Eu sabia que o mundo interior dele era complexo e duro, mas ainda não tinha visto a prova. O texto do José Lobo serve de base à peça que a equipa do Teatro Estúdio Fontenova tem em cena por estes dias (de 13 de Maio a 5 de Junho (Quinta a Sábado) às 22h e Domingos às 17h) numa moradia desabitada (de finais do século XIX) do Bairro Salgado, mais precisamente na Rua Garcia Perez Nº 36. O tema, a violência doméstica, é retratado de forma cruel, quase grotesca, com todo o desconforto a que temos direito (e que somos convidados a não ignorar), que isto não é coisa para ser fácil de ver. Tudo é cru. Em cena fala-se do homem, do agressor, mas este nunca aparece senão de forma figurada. Fala-se de um homem que é ensaista. Ensaista de porrada. Ensaia tanto que a mulher torna-se múltipla, fala de si como se falasse de outra pessoa e ora abandona a casa ora volta por pena do marido (para desespero do público). A doença, a repulsa, o nojo, a náusea que a mulher-mãe-vítima sente e transporta, contamina a retina do espectador. Este é transportado de quadro vivo em quadro vivo, como se em cada assoalhada da casa vivessem ainda mulheres que não têm direito a ser felizes nem a ser mulheres. Percebi agora o óbvio: este texto funciona porque não é para ser lido. É, como está sendo, para ser interpretado em teatro. As histórias que ouvimos aqui são baseadas em vivências contadas por vitimas reais, fruto de entrevistas que o autor conduziu. O resultado dessas conversas foi esta peça, como podia ter sido um documentário ou uma reportagem. O resultado foi arte. Daquela arte que serve para reflectir e dar esperança. Arte que deve fazer sempre parte da nossa setubalidade. Deixo-vos com um pensamento da Inês Pedrosa, escrito noutro contexto, diferente do desta peça: "A violência é viciante, e não só para os que a exercem. Vicia também os que a sofrem, facilmente se torna uma forma de prazer, porque se confunde com a experiência do abismo, da vertigem, da entrega absoluta - e tanto mais quanto mais precoce for a iniciação."

domingo, 14 de novembro de 2010

Vocalista dos Roxette resgatada em Tróia


Nada como um título um tanto ou quanto enganoso para servir de isco a peixinhos-leitores. Mas já que cá está aproveite para dar à costa na Tróia do século passado. Foi lá, em 1999, que os Roxette gravaram um clip de vídeo assinado pelo famoso realizador sueco Jonas Åkerlund, autor de “Smack my Bitch” dos Prodigy e “Ray of Light” de Madonna.

O tema é o "Anyone" e o vídeo conta a história de uma mulher que vai visitar o sítio onde conheceu o amor da sua vida e no fim acaba por tentar o suicídio nas águas do Sado sem que nenhum golfinho a valha. Quem toma conta do recado são os Bombeiros Voluntários de Setúbal que resgatam o corpo da vocalista dos Roxette, Marie Freddrikson, levando-o para dentro da ambulância.

O clip é uma recordação de alguns sítios de Tróia, antes da demolição das torres. E ao som de uma bela música. Vale a pena ver.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Just as long as we stand tall

Para quem não teve oportunidade de ouvir Sierra Hurtt na sua passagem por Setúbal, aqui fica a sua interpretação de "We Can Do Anything", tema de Mikkel Solnado.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

José Hermano Saraiva em Tróia (e a pedir de volta um livro emprestado)


O "Setubalidades" soube que o historiador José Hermano Saraiva vai estar na península de Tróia, em breve, para gravar mais um episódio do seu programa televisivo "A Alma e a Gente" (RTP, sábados, 19h30). Apesar da sua frágil saúde e da sua avançada idade (91 anos!) o professor continua a presentear os telespectadores com os seus improvisos verbais e sabedoria.

Já perdi a conta às vezes que Saraiva passou a revista a Setúbal e arredores, marcando a minha setubalidade e juventude com as suas narrações. A última, se não estou em erro, foi em Junho, quando passou na televisão um episódio de 25 minutos gravado no Museu Sebastião da Gama, em Azeitão. Começando com a sua frase habitual "caros telespectadores" e gesticulando com a duas mãos abertas em frente ao ecrã, Saraiva dá uma breve biografia do poeta Sebastião da Gama, lê alguns poemas e chega mesmo a fazer um pedido invulgar: que alguém lhe devolva um livro colectivo raro, com poemas de Sebastião da Gama, que emprestou no século passado!"É um tesouro, Alguém mo pediu emprestado e eu eu nessa altura era muito novo e ainda emprestava livros. Livro emprestado, é livro perdido. Nunca mais ninguém mo deu... Alguém o há-de ter visto, tem pregos na capa. Peço a alguém que saiba do seu paradeiro que me dê notícias dele!", suplica o comunicador nonagenário.

Em Setembro de 2008, o episódio versou sobre Setúbal. O programa é interessante e mostra alguns sítios com história (e histórias) que vale a pena visitar: a Casa das Quatro Cabeças, o Convento de Jesus e as pinturas quinhentistas, o Museu do Trabalho, a Casa do Bocage, a Casa do Corpo Santo (Museu do Barroco), fortaleza e sanatório do Outão, a Arrábida e o Sado. Vale a pena espreitar.