Numa época em que se fala de novo aumento nos transportes públicos deixo-vos uma curiosidade histórica: uma tabela de preços das carreiras de barco a vapor que faziam o transporte de passageiros nos rios Tejo e Sado em 1839.
Ir à popa, a parte traseira do navio, custava o dobro de viajar à proa. Partindo do princípio que os preços da tabela estão em réis é possível fazer algumas contas interessantes.
A viagem mais cara entre Lisboa e o Barreiro custava 100 réis, o que corresponde a 10 centavos ou 0,1 escudos ou 0,000498797897 euros. Multiplicando este valor pelo coeficiente de desvalorização da moeda (a tabela foi actualizada por um despacho muito recente) que é 4335,60 chegamos à seguinte conclusão: em 1839, o bilhete mais caro para a travessia Lisboa-Barreiro custava 2,16 euros. O mais barato custava metade desse valor, 1,08 euros. Actualmente a travessia custa 2,10 euros. Lembro que em Julho a mesma viagem custava 1,85 euros.
A viagem entre Setúbal e Álcacer do Sal custava 360 réis (7,79 euros). Hoje em dia, só a travessia de ferry entre Setúbal e Tróia para um carro ligeiro de passageiros custa 11 euros (e o bilhete de passageiro 2,50 euros).
Não tenho inveja dos portugueses de 1839, que deviam viver em condições bem mais difíceis do que as actuais, mas não me importava nada de dar um saltinho àquela época e atravessar o Tejo de vapor por pouco mais de um euro, mesmo que a pitoresca viagem demorasse mais dos que os actuais 15 minutos (ou 20 em dias de mar agitado). Ao menos não havia máquinas idiotas. Um bilhete, por favor!
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Da minha janela eu vi
Janelar é o verbo que traduz o estar à janela. O meu amigo David Pereira, fotógrafo, captou uma velhota a janelar. A fotografia está agora a concurso aqui. Gostava muito de o ver nos 20 primeiros deste concurso e, quem sabe, ganhar. Para que isso aconteça apelo ao seu voto. Basta votar aqui uma vez por dia. Porque janelar é importante. Significa que o ar ainda se pode respirar.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
terça-feira, 13 de setembro de 2011
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Setúbal ganha novos palcos com a Festa do Teatro

Boa notícia: a cultura em Setúbal não espera pelo fim das obras do Fórum Luísa Todi. O Teatro Estúdio da Fontenova sempre soube encontrar espaços alternativos para dar bons espectáculos: Inatel, Club Setubalense, o parque do Bonfim e até uma casa no Bairro Salgado... Com o Fontenova cada peça procura o seu espaço próprio. E a Festa do Teatro encontrou este ano um novo espaço: o antigo ginásio da renovada escola secundária de Sebastião da Gama, que eu tive a honra de frequentar. Ontem foi noite de casa cheia na escola para assistir à frenética peça "Ibéria-A Louca História de Uma Península", pelo grupo Peripécia Teatro: dois actores e uma actriz contam várias histórias que envolvem personagens do lado de cá e lá da fronteira, alternando entre episódios (Salado, Inês de Castro, Viriato, Aljubarrota, Descobrimentos, Rodesilhas e um milagre...) a um ritmo alucinante. Resultado: muita gargalhada e fascinação pelo trabalho dos actores, um misto de mímica, imitações sonoras e um texto muito bem trabalhado. Deixo-vos aqui o vídeo de apresentação da peça, com menos gargalhas e tranças do que as de ontem... O espaço funcionou muitíssimo bem com um palco amplo montado à frente do antigo palco e deixa boas promessas para os espectáculos que ainda estão em programa.
No antigo palco da renovada escola tinha já assistido ao "Felizmente há Luar" levado à cena pelo Metáforas, o Grupo de Teatro da Escola Secundária Sebastião da Gama. Fiquei com inveja do talento daqueles jovens actores, quer os que contracenaram comigo quando tive a honra de fazer parte do grupo há uns anos, quer os da "nova fornada". Está ali um grupo de "gente gira" e actores a sério, como diz a professora Conceição Crispim. Só quem tinha visto a performance da Tânia Alexandra percebe do que eu estou a falar. Esperemos que o grupo continue a brindar-nos no seu palco que é também a sua casa e que a casa continue a abrir o seu palco ao que de bom se faz em Setúbal.
Foto: Manuel Galrinho e Maria do Carmo Galrinho
http://www.flickr.com/photos/filosofias/5818995977/
Vídeo na Setúbal TV: ‘Felizmente há luar!’ levado a cena na Escola Secundária Sebastião da Gama
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